quarta-feira, 27 de maio de 2009

27 de Maio de 1923





"E a videira deitou três ramos que frutificaram, segundo sua lei: primeiro vieram os botões, depois as flores e finalmente os cachos maduros."


Do Livro do Génesis.




Com base numa modestíssima experiência tentada em 1907 por Lord Baden-Powell, o Escutismo levou 20 anos a espalhar-se pelo mundo. Parece-nos claro que o escutismo se apresentou como uma resposta da providência às necessidades de uma época e que a sua extraordinária difusão se explica por esse facto. Efectivamente, o seu rápido desenvolvimento não ficou a dever-se a qualquer propaganda organizada. Para que um novo ramo nascesse espontâneamente em numerosos países, foi suficiente que um educador tivesse lido por acaso Scouting for Boys.




O Corpo Nacional de Escutas - Escutismo Católico Português - nasceu em Braga a 27 de Maio de 1923. Foram seus fundadores o Arcebispo D. Manuel Vieira de Matos e Dr. Avelino Gonçalves, que em Roma mantiveram os primeiros contactos com o Movimento, quando ali assistiram, em 1922, a um desfile de 20.000 Escutas, por ocasião do Congresso Eucarístico Internacional que esse ano se realizou na Cidade Eterna.
Depois de bem documentados regressaram a Braga e rodearam-se de um grupo de 11 bracarenses corajosos e valentes que, a 24 de Maio de 1923, faziam a sua primeira reunião, no prédio n.° 20 da Praça do Município, para estudarem a possibilidade e oportunidade da criação de um grupo de Scouts Católicos em Portugal: Assim nasceu o Corpo de Scouts Católicos Portugueses, cujos estatutos foram aprovados a 27 de Maio desse mesmo ano pelo governador civil de Braga, e confirmados em 26 de Novembro pela portaria n.° 3824 do Ministério do Interior e Direcção Geral de Segurança, começando a partir desse dia a existir oficialmente, com legalidade e personalidade jurídica.






quarta-feira, 6 de maio de 2009

Clássica da Primavera


Cresci a ver ciclismo! Enquanto colegas e amigos da minha idade se deliciavam a ver o "Agora Escolha" na RTP2 apresentado pela Vera Jardim e a jogar à bola na rua nas férias da Páscoa e Verão, eu seguia atentamente a TVE2 e as transmissões em directo da Vuelta (No meu tempo era em Abril)do Giro e do Tour. Relembro com enorme saudosismo os ataques de Pedro Delgado, Marino Lejarreta, Eduardo Chozas, entre outros, que de tantos que são, é impossível enumerar. Nessa altura em Abril, enquanto meus amigos saíam ao Domingo à tarde para ir ao café eu ficava em frente ao televisor sintonizado na segunda da espanhola a ver o Tour de Flandres, o Paris-Roubaix e a Fleche Valone. Fantasiava um dia em pedalar naquele pavé solto e chegar ao velódromo de Roubaix em primeiro lugar... inocência da juventude, claro está!Hoje sinto-me feliz com estas recordações... sinto-me vivo!Domingo, apesar do meu fraco estado de forma, lá estarei para pedalar nessas dificuldades e, porventura, atacar numa subida de paralelo dura... nem que seja para depois "deitar os bofes de fora" e chegar a casa de gatas...

domingo, 26 de abril de 2009

25 de Abril de 1974

Passados 35 anos do 25 de Abril de 1974 deixo aqui um relato na primeira pessoa


“ [Naquela época] começávamos a trabalhar ainda mal sabíamos andar. Desde garoto, eu e os meus irmãos, ajudávamos o meu pai no tear e enchíamos canelas. Não frequentei a escola. Aprendi a ler e a escrever já em adulto (…). Fui operário têxtil e, já reformado, dediquei-me ao artesanato de madeiras para ocupar os dias. Pela revolta e descontentamento para com o regime salazarista, a ditadura, surge a aproximação ao Partido Comunista Português. Aos 13 anos já era militante do PCP (…).
Na noite de 9 para 10 de Novembro de 1940, de sábado para domingo, eu e mais 4 camaradas jovens operários (António Valério, Alberto Felício, João Carrola e José Cristóvão), na sequência de uma acção clandestina de distribuição de propaganda do partido e de pinturas nas ruas e nas paredes com palavras de ordem, com o objectivo de informar e alertar o povo que permanecia, na maioria, analfabeto, para derrubar o regime, fomos preso pela PIDE, depois de uma denúncia (…)
Fui preso em casa e levado para aquele que era o quartel general da PIDE no Teixoso. Muitos dos presos eram tecelões, por se queixarem dos patrões. Aí, malharam logo em nós! Do Teixoso, fomos embalados em carros para a esquadra da Covilhã, metidos em calaboiços e começaram as torturas …batiam-nos com a cabeça em lâmpadas, éramos colocados no corredor em posição de estátua até cair… uns em cima dos outros. Depois de 8 dias, fomos despachados, por comboio, para Lisboa, escoltados pela polícia como se fossemos os maiores bandidos desta vida! Estivemos lá até 31 de Janeiro de 1941, fechados em pequenas celas sem quaisquer condições. Fomos julgados em tribunal como comunistas. Só na véspera soubemos a nossa nota de culpa. Não tínhamos ninguém que nos defendesse, a não ser nós próprios. Fomos condenados a 9 meses de prisão correccional com pena suspensa por 2 anos (…).
A pequena grande revolução do 25 de Abril foi o melhor que aconteceu ao país depois de tantas barbáries inventadas e sofridas na pele; o abanão mais positivo; uma revolução pacífica; um trunfo espiritual para o qual todos os Portugueses contribuíram, sacudindo a ditadura do país.


Valeu bem a pena! Não tenho pena do que sofri. Foi um ensinamento. Orgulho-me do trabalho que fiz em prol do povo e da paz. Não podíamos viver acorrentados…somos livres!
[Aos jovens] Que nunca, nunca se esqueça que Portugal deu um exemplo nobre ao mundo. A Revolução de Abril foi e é a jóia mais poderosa dos Portugueses; Que nunca se desvirtue a raiz da revolução. Que nunca se esqueça o 25 de Abril.A política não é um crime… é o meio que os cidadãos têm, independentemente dos partidos a que pertençam, para fazer progredir e desenvolver um povo”.



Francisco Ferreira Marques

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Há coisas que são comparáveis...



Já andava o pessoal todo "lampeiro" equipado à Verão... quando o típico clima de Abril ataca, qual ciclista possante, no Bosque de Arenberg, deferindo o golpe inicial da contenda que o levará ao Velódromo de Roubaix, erguendo os braços e limpando a cara de pó, lama e barro... lavando suas feridas das caídas anteriores no pavé duro do "Inferno do Norte"... tal como O Grande "Ciclista"... O Único... O Primeiro... padeceu por nós e hoje se recorda a sua Morte.Por vezes, nem que seja apenas nestes dias, vale a pena pensar nisto e dar graças por todas as bençãos que temos recebido.

Vuelta a Castilla y Leon - 2009 - Etapa 4 - Laguna de Los Peces

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Homenagem a Francisco Ferreira Marques




Neste dia em que se comemora mais um aniversário da implantação da Republica em Portugal, a comissão concelhia do Partido Comunista Português, considerou ser seu dever prestar homenagem ao homem, ao operário, ao artista, ao escritor, ao actor, ao jornalista, ao poeta, ao resistente, ao militante que dedicou grande parte da sua vida em benefício da construção de um país melhor e de uma sociedade mais justa e fraterna.

Neste almoço convívio estiveram presentes cerca de 140 pessoas que não quiseram deixar de demonstrar ao Xico Ferreira a sua amizade, o seu companheirismo e o seu amor. Apesar da iniciativa de tal homenagem pertencer ao Partido Comunista Português (do qual o Xico Ferreira é militante de longa data), desde logo a mesma foi acolhida com enorme satisfação e entusiasmo pela sua família e amigos (de todos os quadrantes políticos), deixando bem patente nesta singela homenagem que o que importa e verdadeiramente conta são as pessoas no âmago do seu ser.

Neste pequeno post é impossível elaborar um resumo condigno do que foi a vida do Xico Ferreira, tais foram as actividades desenvolvidas por ele nos diversos quadrantes da sociedade Teixosense, assim, fica apenas aqui patente um pouco de algumas histórias que com ele se passaram…

Dados Pessoais
Data de nascimento: 25-02-1923
Celebrou casamento com Serafina Matos Felício em 30-09-1946 do qual teve 10 filhos
Netos: 11 (Uma verdadeira equipa de futebol – o seu desporto favorito, sendo Sportinguista de alma e coração)

No trabalho
Desde cedo iniciou a sua actividade no mundo do trabalho. Aos 7 anos de idade já contribuía com a tarefa de “encher canelas” para seu pai, então tecelão de tear de pau.
Com 10 anos de idade, inicia a sua caminhada diária Teixoso – Covilhã e vice-versa inserindo-se assim no mundo do trabalho da indústria laneira.

Com os operários mais antigos e em condições de trabalho extremamente adversas, onde os salários miseráveis imperavam em plena época de preparativos para aquilo que seria a 2ª Guerra Mundial, vai ganhando consciência de classe que lhe permitiu ao longo da vida uma intervenção em áreas tão diversas, com a relevância que se conhece.

Com apenas 17 anos, o Xico Ferreira junta a sua voz e a sua acção aos operários da então firma Manuel Fazenda e participa numa jornada de propaganda (naturalmente clandestina), na noite de 9 para 10 de Novembro de 1940, na denúncia da politica de opressão e das condições de vida degradantes que o regime do estado novo impunha aos portugueses.
Desta acção resulta a sua prisão - 5 dias nos calabouços da PSP da Covilhã, e depois Aljube e Caxias onde o Xico Ferreira e muitos outros operários sofreram na pele as mais variadas formas de tortura, acusações infames de atentado contra o Estado, vexames de toda a ordem e humilhação constante.
Em Março de 1941, depois de 5 meses de prisão, é levado a tribunal na cidade de Lisboa. Numa farsa sem precedentes é condenado a 9 meses de prisão correccional com pena suspensa durante 2 anos.

Fortemente marcado no seu ser com toda estas atitudes do regime esteve em vias de aderir à “clandestinidade”. Não o fez fisicamente por razões familiares, mas quem o conhece bem não pode deixar de notar na sua voz, de cada vez que se fala neste assunto, a sua revolta contra os “esbirros fascistas” do antigo regime.

De regresso à sua actividade laboral o Xico Ferreira manteve sempre uma postura de vanguarda, na defesa dos direitos dos trabalhadores, sendo reconhecido nas várias empresas onde trabalhou, como um homem honesto, competente e com elevado sentido de responsabilidade em todas as suas vertentes.

No Desporto
Desde muito novo que o Xico Ferreira praticava Futebol. Em 1951 foi um dos fundadores do Grupo Desportivo Teixosense, sendo actualmente o seu sócio nº 1.

A sua participação na vida desta colectividade é a todos os títulos notável:
- Dirigente desportivo durante vários anos, como Secretário-Geral
- Praticante como futebolista sénior.
- Treinador de futebol sénior e das camadas jovens
- Treinador de atletismo
- Responsável pela secção cultural
- Actor e encenador do Grupo de Teatro
- Fundador e ensaiador dos Ranchos Folclóricos seniores e infantis.

Na Cultura
Neste domínio, a sua colaboração e intervenção, baseada na sua experiência, valorizaram de forma muito significativa, diversas organizações e colectividades dedicadas a esta causa.

A Juventude Operária Católica (JOC), a Conferência de S. Vicente de Paulo, a Comissão de Pais e Encarregados de Educação, as Comissões Organizadoras de Cortejos para a Cantina Escolar e o Centro Cultural do Teixoso (CECUT), entre outros, foram associações e organizações onde o Xico Ferreira trabalhou desinteressadamente nas múltiplas manifestações culturais e recreativas, que todas estas entidades desenvolveram ao longo dos anos.

Na memória colectiva de muitos Teixosenses perpetuam as récitas teatrais com que o Xico Ferreira deliciava o público com as suas actuações nas antigas instalações da JOC, anexas ao Santo Cristo.

Da mesma forma a organização e ensaio dos famosos “Quadros Vivos”, retratando excertos da vida de Cristo foram uma das muitas manifestações culturais legadas pelo Xico Ferreira.

Na Arte
Outra actividade muito criativa foram os trabalhos de artesanato de aplicações em madeira nas mais diversas formas, á qual se dedicou após a reforma, levando a que grande parte dos trabalhos fosse comercializada. De salientar a construção exemplar de uma miniatura de um tear de pau dos tempos da sua infância.

Nas Letras
Não detendo qualquer formação académica, para além de uma instrução primária muito primitiva (pagou aulas particulares para aprender a ler e escrever), obtendo posteriormente a 4ª classe no escalão dos adultos, surpreende a sua capacidade de prosa e poeta.

Autor de diversas letras de músicas para actuação de Ranchos Folclóricos e Grupos de Cantares, bem como de poemas diversos dos quais se destaca o poema à Nossa Senhora dos Caminhos ainda hoje patente no monumento à entrada da Vila do Teixoso.

As suas aptidões literárias levaram a que alguns jornais da imprensa regional procurassem os seus serviços, já que a sua comunicação séria e ponderada, reflectia com rigor a verdade dos acontecimentos da nossa região.

A correspondência e os artigos de opinião publicados durante vários anos no Jornal do Fundão, no Noticias da Covilhã, na Reconquista, no Teixoso Unido e no Adro Cultural, foram exemplos e testemunhos bem reais na nossa sociedade contemporânea, que muitos tivemos o privilégio de ler.

Vida Política
Com o 25 de Abril abre-se um novo ciclo na vida dos portugueses. O Xico Ferreira diz presente a mais uma chamada para as tarefas que daí se preconizavam.

Integrou a primeira Junta de Freguesia do Teixoso, participando activamente na reconstrução e reorganização de todos os seus serviços.

Posteriormente e devido às suas capacidades de líder, foi proposto pelos Teixosenses para desempenhar funções na Regedoria do Teixoso, tendo de imediato sido distinguido com perfil adequado, pela Câmara Municipal da Covilhã, que prontamente o nomeou como Regedor Oficial da Vila do Teixoso. Tarefa essa que desempenhou com total isenção, lealdade e respeito para com todos os Teixosenses, com o mais elevado sentido de responsabilidade.

Participou em várias eleições autárquicas em representação do “seu” Partido Comunista, foi eleito, sucessivamente, para a Assembleia de Freguesia, contribuindo, assim, decisivamente para a consolidação do poder autárquico daquela que é e sempre foi a sua freguesia.

As suas intervenções na Assembleia de Freguesia pactuaram sempre com propostas apresentadas, visando de forma bem explícita, o desenvolvimento e o bem-estar da população Teixosense.

Este relato, é apenas uma pequena síntese daquilo que tem sido a sua obra.

Numa sociedade onde cada ser humano se interioriza, a cada dia que passa, mais com o seu próprio ego, salienta-se este HOMEM que munido de uma verdadeira atitude altruísta e de serviço para com o seu semelhante se destacou pela grandeza do seu carácter.

Sendo que “A GRANDEZA NÃO ESTÁ EM RECEBER HONRAS, MAS SIM MERECÊ-LAS”, esta, pequena em comparação à sua pessoa, homenagem hoje preconizada, permite reafirmar que o contributo da sua acção crítica e activa na sociedade portuguesa, o seu trabalho, as suas realizações e contribuições, reflexos da sua sabedoria e experiência, constituem a inspiração que sempre norteará a acção e a luta por uma sociedade mais equilibrada, mais justa e mais fraterna.

Como dimensionar um HOMEM que tão bem soube conduzir os seus actos, formar família, cativar amigos e dar tantos e bons exemplos?

Talvez a melhor forma seja a mais simples e singela: Bem-Haja Avô!

Obrigado por me ensinares a respirar mais alto e mais além!


sábado, 4 de outubro de 2008

VISEU 2008 - Cicloturismo da Volta a Portugal - Etapa da Volta




Em Agosto tive a soberana oportunidade de participar no Cicloturismo "Etapa da Volta", que este ano decorreu em Viseu. Da boa organização patente ressalvo o facto de ter conhecido dois amigos destas lides ciclistas (O Mário - Director técnico da Equipa Profissional Fercase - Rota dos Móveis e o Rui – Major do exército e assíduo colaborador na Organização da Volta a Portugal). Por outro lado reencontrei o nosso bem conhecido Joaquim Gomes (Sim, aquele de quem escrevi num dos primeiros posts deste blog) que se encontra numa forma invejável…
Confesso que foi com enorme orgulho que servi de gregário ao Mário, incentivando-o na subida ao Caramulo, servindo de aguadeiro em várias ocasiões e rebocando-o até à meta em Viseu e com enorme satisfação nos rimos das "chalaças" do Rui...
É destas pequenas coisas que vive a camaradagem cicloturista… … Se Deus quiser… e eu puder para o ano ficou a promessa de nos reencontrarmos.

Até lá... haja vontade e saúde para respirar mais....

sábado, 30 de agosto de 2008

Baptismo


As férias acabam... a boa vida também... mas sem antes ter (finalmente) batido um recorde pessoal na última Quarta-feira... 205 km de bicicleta... ahhhh... mas não julguem os mais incautos que foi a passear em plano... nada disso... de Covilhã à Guarda, Porto da Carne, Celorico da Beira, Gouveia, Penhas Douradas ( são 30 km sempre a subir), Manteigas, Valhelhas, Orjais, Fundão (sempre com vento contra) e regresso à Covilhã (ah, ah... deixei o melhor para o fim... aqui o vento empurrou-me até casa)... e 2500 m de altimetria... Para quem não sabe o que é isto apenas posso exemplificar que da Covilhã à Torre a altimetria acumulada é de 1500 metros... agora façam as contas. Curiosidades: Encontrei o meu Pai no Fundão. Hoje estive com ele e perguntou-me que andava a fazer pelas 3 da tarde no Fundão quando tinha dito que ia até Gouveia, eheh... senti-me bem e fui "esticar" as pernas.... respondi-lhe!


Finalmente ( e já fiz voltas mais duras do que esta ) respirei 2 centenas....

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Nossa Senhora do Carmo


Há coisas, neste mundo que eu não entendo... talvez nunca tenha ultrapassado a famosa idade dos porquês e há muita coisa que me faz confusão... muitas delas interferem com a educação que tive, quer dos meus pais e familiares, quer no Escutismo. Há palavras que estão a cair em desuso.. humildade... respeito... civismo... fé... devoção...


Hoje e ontem participei nas Procissões de Nossa Senhora do Carmo aqui na minha terrinha. E constatei que, de ano para ano, há situações que se vão agravando e acontecendo de forma mais amiúde.


Não quero com este post ferir a devoção, a fé e o sentimento cristão que a maior parte das pessoas que participaram nas procissões detêm, não é esse o objectivo deste blog e muito menos o meu... mas desta vez sou "obrigado" a falar, tal o desiderato verificado entre os "pseudo-cristãos" que acompanham Nossa Senhora e os "verdadeiros cristãos" que com ela percorrem o seu caminho de retiro espiritual e fé verdadeira na Santa de todos nós.


Ontem assisti a um pouco de tudo daquilo que eu chamo de "peixeirada"...


- Ó amigo!!! Isto não anda? (Esta deve ser a frase mais repetida ao longo destes dois dias)

- Isto esta mal organizado! O andor já vai no Teixoso e nós não saímos daqui!

- Isto tem que ir mais depressa...

- Eh pá... digam lá às meninas da frente para acelerar o passo.


à parte destes "habituais" comentários (que um indivíduo ainda vai aguentando ouvir) o gritante eram as conversas adequadas para uma procissão de devoção e silêncio... fala-se dos primos distantes, de politica, da roupa... e até de futebol...


Uma procissão é um lugar de culto!... é um lugar de silêncio (ou cantos adequados)!


Não é um lugar para vir de mão dada (excepto na ajuda a quem necessita), abraçadinhos que nem um par de namorados (e acreditem... ontem vi mesmo com os meus próprios olhos tal situação) nem tão pouco com pressa desenfreada de chegar ao destino... aaahhh... e muito menos para quem se lembra de atravessar a rua de "esquartejar" quem quer que seja preciso...


Hoje mais uma situação "espectacular"... meia dúzia de individuos a "entrarem" pela frente da procissão a dentro... aos termos a que chegámos...


Como é habitual os escuteiros dão umas garrafinhas de água para matar a sede... mas qual não é o meu espanto em ver as bermas da estrada cheias dessas mesmo garrafinhas vazias... ufa... são assim tão pesadas??? Tenham a sensatez de as devolver vazias aos escuteiros que eles se encarregam do assunto...


Resumindo... Prezados "Pseudo-cristãos".. fiquem em casa, e aí deitadinhos no sofá comam uns amendoizinhos, bebam umas minis, dêem à lingua à vontade com as primas e primos, façam a peixeirada que quiserem e não chateiem quem devotamente participa nas procissões e muito menos quem orgulhosamente ajuda na organização das mesmas... pois esses apenas estão a praticar algo que a muitos tal palavra não deve constar do seu dicionário pessoal "SERVIR"!





Finalmente as Férias...


Eis chegada aquela altura em que colocamos a trouxa as costas e galopamos em direcção ao horizonte, levando connosco todas as amarguras e mágoas, pensando que estes dias vão servir para apagar da nossa mente e corpo o stress diário.

Mas eis que nos vemos engarrafados no trânsito para chegar à praia... a falta típica de estacionamento para o nosso bólide ( e quando há é sempre à torreira do sol), os míudos ( e alguns graúdos) aos berros, os putos (e alguns matulões) a jogar á bola que, incansavelmente, nos acerta quando estamos pronto a entrar no sono da sombra minúscula do nosso chapéu de praia. O cheiro a frango assado e a febra de "barraco"... ufa, ufa...

Não é que não goste de praia... só não gosto de confusão, seja na praia, na serra ou no campo.


Daí que este ano, a exemplo do anterior, não vá dar um mergulhinho no Atlântico... vou "matar" uma teimosia... subir ao monte de Nossa Senhora da Graça em Mondim de Basto... mas até lá chegar vou participar no cicloturismo da etapa da volta (http://www.volta-portugal.com/etapas/etapa11/home.html) e depois rumar a norte, Bragança, Puebla de Sanabria... e logo se vê o resto... Espero encontrar o sossego e a tranquilidade que necessito... afinal...quem não precisa de respirar mais calmamente e encher melhor os pulmões?




quarta-feira, 4 de junho de 2008

Dura-ace




Os nipónicos da Shimano não deixam de me surpreender.

Mais uma evolução significativa no mundo das duas rodas.


Como sempre... o senão é o preço!


Talvez quando os combustíveis descerem possa fazer umas economias... e "provar" esta nova beleza... forçar a máquina ao limite... e respirar continuadamente...





quarta-feira, 28 de maio de 2008

Gasolina... Diesel...


Impostos: Receita com combustíveis continua a aumentar, apesar da descida do consumo

28 Mai (Lusa) : O Estado continua a aumentar as receitas fiscais com a venda de combustíveis, com a subida do encaixe com o IVA a compensar as perdas no Imposto sobre os Produtos Petrolíferos (ISP), admitiu hoje o ministro das Finanças.


Alguém me consegue explicar o que se passa neste mundo doido?

O mais engraçado disto tudo é que nos tornámos dependentes do petróleo… totalmente… e agora alguém se lembrou de começar a lucrar com isto… os lucros deviam ser escassos…

Quando comprei o meu primeiro carro a diesel o preço do Gasóleo cifrava-se nos 65$... sim.. ainda sou da altura dos cifrões… ou seja € 0,36… e isto foi (apenas) em 2001…

Em sete anos o preço do gasóleo aumentou 3,88 vezes mais… isto é, por arredondamentos… 4 vezes mais!
Sim! 4 vezes mais… ainda não fizeram as contas? Eu já!

Por este andar não demora muito a ir de bicicleta para o trabalho… assim, respirarei melhor o ar da manhã.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

De tolo e louco todos temos um pouco




Passados mais de 6 meses das minhas aventuras por terras espanholas e inglesas acho que chegou finalmente a hora de mostrar aqui duas fotos emblemáticas daqueles dias em que vivi uma das melhores experiências de toda a minha vida.


Acredito que cada ser humano, um dia, deva percorrer um caminho que lhe faça sentir algo mais profundo do que o simples arrastar da melancolia tradicional. Eu senti esse chamamento.


Talvez ele tenha acontecido numa altura da minha vida que fosse propício a tal desiderato. Mas a verdade é que senti uma vontade enorme em partir... em aventurar-me... em arriscar... em respirar mais e melhor.


As jornadas fazem-se ao sabor dos nossos sentimentos... e só se faz caminho, andando!


quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Os rebentos - "Homenagem" às nossas mães....

Creio que Deus nos colocou neste mundo para sermos felizes. E existem várias formas de poder ser feliz.

Em toda a minha existência sempre tive consciência dos sacrifícios que meus pais fizeram para me dar uma educação exemplar, me tratar com o carinho necessário ( e não exacerbado), me dotar dos bens necessários ( e não os supérfulos) e de me fazer sentir feliz com o amor que me era dado.

Creio que a felicidade suprema reside no facto de amar e ser amado.

Neste simples "post" homenageio todas as mães e em particular uma muito especial com quem tive o prazer de trabalhar durante 2 anos.



ahhh... e esta "maezinha" já vai em 2 rebentos...

Que elas (são duas meninas) respirem com toda a vontade própria das crianças...



Parabens!

sábado, 15 de dezembro de 2007

"Respirar o Natal"



Nestes dias que se avizinham já é notória a azáfama característica do NATAL. Ou devo dizer… a azáfama aos Shoppings, hipermercados, lojas e afins.
Obviamente que o NATAL é muito mais do que aquilo que poderemos ver nestes dias. Mas isso seria um tema muito longo digno, quiçá, de alguma tese de Teologia.
O objectivo deste blog não passa por longas e demoradas explanações de temas com dificuldade elevada de dissertação.

A principal razão que me leva a escrever hoje estas linhas prende-se, essencialmente, por achar que nestes dias se RESPIRA DIFERENTE!

E afirmo-o com a convicção que até as pessoas que nos parecem hediondas nos desejam um “Bom Natal”. Será que só nesta quadra festiva nos lembramos que somos apenas mais um grãozinho de areia numa longínqua praia… como tantos outros a nosso lado?

Será que os ARES DE NATAL nos levam a meditar melhor remetendo-nos à significância da vida humana?

Mas não posso deixar de dizer que nos tempos que se avizinham corremos o risco de acontecer algo inimaginável ao NATAL. Vejamos o seguinte cenário:

Os Reis Magos lançaram uma OPA sobre a manjedoura e esta foi retirada do estábulo até decisão governamental.

Os camelos estão no governo.

Os cordeirinhos estão tão magros e tão feios que não podem ser exibidos.

A vaca está louca e não se segura nas patas, aliado ao facto de não se poder mugi-la em virtude das restrições à produção de leite oriundas da UE.

O burro está na Escola Básica a dar aulas de substituição ou a aproveitar as benesses das “novas oportunidades” ou ainda na Universidade através do programa “mais 23”.

Nossa Senhora e São José foram chamados à Escola para avaliar o burro ou a trabalhar horas extarordinárias para conseguir pagar o valor das propinas.
O musgo verdejante do presépio deu origem a um pasto amarelon em virtude das secas provocadas pelo aquecimento global.

Não corre água no presépio porque não pode ser desperdiçada não se tendo ainda descoberto um mecanismo de a reciclar.
A estrelinha de Belém perdeu o brilho porque o Menino Jesus não tem tempo para olhar para ela.

O Menino Jesus está no Politeama em actividades de enriquecimento curricular e o tribunal de Coimbra ordenou a sua entrega imediata ao pai biológico.

A ASAE fechou temporariamente o estábulo pela falta da manjedoura e sobretudo até serem corrigidas as péssimas condições higiénicas do estábulo, de acordo com as normas da UE.

(Um pouco de humor também nunca fez mal a ninguém)

Será que o referido anteriormente não vos faz relembrar algo muito real?

Não tenho solução para tantas respostas mas… para mim o Natal é tão especial que não consigo relatar as sensações que me percorrem o íntimo do meu ser.

Recordo com saudade o sabor das couves e do bacalhau comido na quinta de meu avô em frente ao lume feito no chão da cozinha… (ainda não sei bem porquê mas neste dia até o bacalhau e as couves me sabem diferente)
Recordo a alegria estampada nas faces das minhas avozinhas em ver tantos netos reunidos.
Recordo com admiração o empenho com que minha mãe e minhas tias preparavam a mesa e a comida.
Recordo também a “Fogueira” (Madeiro) da minha terrinha…

E que dia 24… estas recordações sejam realidade.

Antecipadamente desejo a todos os (poucos) leitores deste meu blog… UM SANTO E FELIZ NATAL!

E que nestes dias se atrevam a RESPIRAR O NATAL!


terça-feira, 20 de novembro de 2007

Serão os Homens do Passado que definem o Futuro?

Desta vez vou falar de mim... oppsss... pois.... também tenho direito a elaborar uma "pequena" retrospectiva sobre algo que me acontece(u).
Resolvi voltar a matricular-me no ensino superior passados 7 anos de o ter abandonado. Confesso que apesar da minha profissão me "obrigar" a estudar e estar constantemente mergulhado em diplomas legislativos as exigências Universitárias são diferentes. Não digo que seja mais ou menos difícil... mas as diferenças existem...
O que não posso deixar de comentar é o facto de que após tantos anos julguei encontrar uma Universidade diferente. Erro meu. O passado persiste... nem que seja porque os "cadeirões" que me faltam fazer são dados pelo mesmo professor que me deu aulas há mais de 10 anos... e os testes continuam "intragáveis"...
Confesso também que nada me move contra aquele Professor. Até pelo contrário, tenho a certeza que é um dos que sabe o que diz e tive a "sorte" de fazer uma outra cadeira com ele no longíquo ano de 1998 e os testes não eram assim...
Mas.. passados tantos anos... na minha ingenuidade julguei que as "coisas" tivessem progredido noutro sentido.
Ahhh... afinal a progressão já sei onde existe! Está no valor das propinas. Essas sim progrediram... e num aumento superior a 1000% (não me enganei... são mesmo 1000%).
Oxalá o Sr. Licenciado em Engenharia que "governa" este país tivesse aumentado o meu salário, nestes 7 anos, assim....

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Alma

Confesso que tenho um fraquinho por música brasileira. Gosto especialmente de Daniela Mercury, Banda Eva e Ivete Sangalo, entre outros.

Confesso também que gosto bastante do estilo musical de Ben-Harper...


... e se juntarmos tudo?


Pois... há músicas que ficam no ouvido....


Aconselho a visitarem:




É apenas a faixa "Boa Sorte/ Good Luck" do álbum "SIM" de Vanessa da Mata.


Que ar respiramos neste cantinho à beira mar?

"O nosso (de Portugal) principal "calcanhar de aquiles" está relacionado com um problema de insatisfação permanente. Somos tradicionalmente insatisfeitos e isso torna-nos muito críticos de tudo e de todos. Revelamos um excesso de preocupação com o trabalho de quem está ao nosso lado e esquecemo-nos de concentrar esforços na construção do nosso próprio caminho."

(Tomaz Morais, Compromisso: Nunca Desistir, Booknomics, 2006)

Nota do Blog: Tomaz Morais é treinador da equipa da selecção nacional de rugby

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Partir...


" Um dia é preciso parar de sonhar e de algum modo, partir..."

domingo, 10 de junho de 2007

Saudade...

Partis-te
Já não consigo pensar
Se vivemos num lado ou noutro

Partis-te
Com olhar terno e suave
Um azul melancólico
Pronto a amarrar o barco
Na praia com que sonho

Partis-te
Assalta-me um bailado de ideias
Que dançam no meu coração
Estivemos em lados tão iguais
E em vidas tão apaixonadas
Que ficámos tão longe de nós


Se o sonho não existisse
Dentro da alma não sentia
A vontade de viver tempos tão cruéis
Mas dói vivê-los
Sem ti

Olha-me nos olhos
Para saber se o sonho existe
Ou se foi só uma loucura minha
Mas o sol já vai alto
E a noite já foi dormir
E assim, conta-me tu
O fim